A deslocação de parte da procura hoteleira para Zhuhai e Hengqin confirma uma mudança que já decorre há vários anos. “é bom traçar estratégias com antecedência”.

 jun26

A deslocação de parte da

procura hoteleira para

Zhuhai e Hengqin confirma

uma mudança que já decorre

há vários anos, considera

Glenn McCartney: “O modelo

de turismo tem vindo, de facto,

a mudar”, afirma o professor

da Universidade de Macau,

defendendo que “é bom traçar

estratégias com antecedência”.

A ocupação média dos hotéis

da Península de Macau rondou

os 80% no primeiro semestre e

os preços dos quartos recuaram

entre 5% e 6%, disse ao Macau

Daily News a presidente da Associação

de Hotéis de Macau, Jocelyn

Wong. A responsável apontou

para o aumento da oferta local e

para a preferência de mais visitantes

por alojamento em Zhuhai

e Hengqin.

“O modelo de turismo tem vindo,

de facto, a mudar, e já há algum

tempo”, salienta Glenn Mc-

Cartney, professor associado de

Gestão Internacional de Resorts

Integrados da Universidade de

Macau. “A questão agora é: como

responder a isto?”

O académico associa esta evolução

ao desenvolvimento de Hengqin

e Zhuhai, à maior facilidade

de circulação, ao crescimento

do Cotai e ao encerramento dos

casinos-satélite.

“Em 2025, dos 40,07 milhões

de visitantes, 23,52 milhões –

59% – foram excursionistas”.

A permanência média “foi de

1,1 dias”. Uma década antes, os

“excursionistas representavam

53% dos 30,71 milhões de visitantes”,

mantendo-se a permanência

média.

McCartney acredita, ainda assim,

que os hotéis da Península

continuarão a receber muitos

clientes. “Há um grande volume

de visitantes e, dado o número

de quartos em Macau, continuará

a haver essa grande afluência

aos hotéis da Península de

Macau e uma elevada taxa de

ocupação”, afirma ao PLATAFORMA.

Deixa, porém, um alerta: “Tal

como noticiado recentemente pelos

media sobre ocupações mais

fracas e tarifas de quartos mais

baixas, é bom traçar estratégias

com antecedência.”

MAIS CONSUMO DURANTE A VISITA

Com mais de metade dos visitantes

a não pernoitarem, Glenn

McCartney considera necessário

“aumentar o consumo” durante a

passagem por Macau, incluindo

no “jogo, comércio, restauração,

eventos e entretenimento”.

“A partilha de experiências e

das jornadas dos viajantes de e

para Macau já está nas redes sociais”,

afirma. “Como é que nos

integramos nesta discussão para

acrescentar os acontecimentos na

Península, seja alojamento, eventos

e entretenimento nos bairros,

promoções de restauração ou

compras?”

McCartney acrescenta que “podem

existir parcerias estratégicas

com outras marcas e empresas

para disseminar a mensagem”.

Os descontos e pacotes para

prolongar as estadias podem ter

impacto no curto prazo, mas o

professor alerta: “As promoções

afetam as receitas de alojamento

e possivelmente a imagem da

marca — quando se mantém o

preço baixo durante um longo

período, o desafio é voltar a

subi-lo.”

Para Glenn McCartney, os bairros

podem ser desenvolvidos como

zonas turísticas, com propostas

ligadas às características de cada

comunidade. “Claro que a gastronomia

é um deles, mas também

pode ser a narração de histórias

e eventos culturais dentro desse

bairro ou zona turística.”

O turismo deve ser concebido

como “a cocriação de experiências

entre a comunidade e o visitante”,

integrada numa “visão a

mais longo prazo”, diz.

O planeamento deve definir objetivos

e indicadores de desempenho

e envolver “a comunidade,

hotéis, pequenos negócios, organizadores

de eventos e entretenimento

ao vivo, e transportes”.

Deve ainda incluir “investigação

empírica” sobre “o sentimento da

comunidade e as expectativas dos

visitantes”, assim como eventuais

“melhorias legislativas”.


Plataforma https://www.plataformamedia.com/2026/06/26/turismo-e-bom-tracar-estrategias-com-antecedencia/

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