PME SOB PRESSÃO: NEM CRÉDITO NEM CONSUMO

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PME SOB PRESSÃO: NEM CRÉDITO NEM CONSUMO

Ataxa de incumprimento

das PME atingiu um novo

máximo no final de 2025,

num contexto de menor crédito

ao setor e mudanças nos hábitos

de consumo dos residentes. Para

Nelson Kot, a diferença de preços

com Zhuhai é “um motor estrutural

da deterioração da saúde financeira

das PME”; Henry Lei defende que

esta mudança contribui para “a

queda do comércio local e para as

dificuldades das PME”.

A taxa de incumprimento dos emprés-

timos às PME atingiu 7.9% no final

de 2025, um novo máximo, segundo

dados da Autoridade Monetária e

Cambial de Macau (AMCM). Apesar

do montante de créditos vencidos ter

recuado ligeiramente para 5,3 mil mi-

lhões de patacas; mais de 70% destes

estavam em atraso há mais de um ano,

num contexto em que o crédito total

ao setor caiu quase 14%; para 67 mil

milhões de patacas.

Nelson Kot, presidente da Associação

de Estudos Sintético-Sociais de Ma-

cau, considera que o agravamento do

incumprimento está ligado a mudan-

ças estruturais no comportamento dos

consumidores. “O aumento das taxas

de incumprimento (...) parcialmente,

mas de forma significativa, é impul-

sionado por mudanças estruturais

na procura”, sublinha; apontando o

crescimento do consumo em Zhuhai

e noutras cidades do Interior da China

como fator central: “Retira de forma

permanente o fluxo estável de clientes

às pequenas e médias empresas locais”.

A análise encontra eco na tese do eco-

nomista Henry Lei, que identifica na

quebra do consumo interno um sinal

claro de pressão sobre as empresas:

“O fraco desempenho do volume de

vendas a retalho (...) pode refletir a

deterioração da confiança dos consu-

midores e o enfraquecimento da pro-

cura”, refere; destacando a descida de

“77,19 mil milhões de patacas, em 2019,

para 69,59 mil milhões, em 2025”.

Lei sublinha também “a prática cada

vez mais comum de viajar para a Chi-

na ao fim de semana para consumir”,

bem como o “peso crescente do comér-

cio eletrónico”, apoiado por platafor-

mas com entrega gratuita. Segundo

dados do Inquérito ao Rendimento e

Despesas das Famílias 2023/24, face

ao inquérito de 2017/18, o consumo ex-

terno das famílias aumentou 21.8%,

representando quase um quarto da

despesa mensal.

A “diferença de preços com Zhuhai”

agrava o cenário; e, para Kot, esta

disparidade “tem distorcido de forma

acentuada os setores do comércio local

e da restauração”, criando um “efeito

persistente de substituição do consu-

mo”. O que impacta diretamente nas

contas das empresas: “Menor fatura-

ção, margens comprimidas”, e maior

dificuldade em “cumprir obrigações

financeiras”.

Lei acrescenta que a sensibilidade ao

preço aumentou com a perda de ren-

dimento e a queda do mercado imobi-

liário. “A sensibilidade às diferenças de

preços (...) aumentou”, observa; apontan-

do ainda para a maior “integração com

Zhuhai e Hengqin” como fatores que

facilitam a “deslocação do consumo”.

DESTINO FINAL: INSOLVÊNCIA

Neste contexto, o acesso ao crédito

torna-se mais restrito. A AMCM indi-

ca que os bancos têm recusado pedi-

dos de financiamento sobretudo por

“fraca credibilidade” e “desempenho

insatisfatório”. Para Kot, o risco é claro:

“O endurecimento das condições de fi-

nanciamento deverá acelerar o encer-

ramento de PME”, especialmente nos

setores mais expostos à concorrência

transfronteiriça. “As pressões de liquidez

irão intensificar-se”, acrescenta, alertan-

do para um ciclo em que as empresas

perdem “acesso a crédito”, deixam de

conseguir “suportar custos fixos” e são

“empurradas para a insolvência”.

Lei considera que a tendência deverá

manter-se: “É inevitável que os ban-

cos rejeitem pedidos de crédito (...)

com baixa capacidade de reembolso”,

afirma; antecipando um período pro-

longado de pressão sobre as empresas,

num contexto em que o rácio crédito/

depósitos tende a diminuir.

Perante este cenário, as soluções pas-

sam por uma combinação de medidas

imediatas e reformas estruturais. Kot

defende apoio direto, incluindo cré-

dito com juros reduzidos, garantias

públicas e redução de encargos ope-

racionais, mas também uma aposta na

diferenciação da oferta. “Ofertas de

consumo (...) difíceis de substituir por

alternativas transfronteiriças” serão

“essenciais para recuperar competitivi-

dade”, sublinha; defendendo também

a “otimização das cadeias de abasteci-

mento” e a “redução do diferencial de

custos” com regiões vizinhas.

Lei aponta para soluções de longo pra-

zo: “Torna-se necessário implementar

políticas estruturais de longo prazo”,

afirma; defendendo o “reposiciona-

mento” das PME e a criação de pro-

dutos e serviços mais “únicos”, capazes

de escapar à concorrência baseada no

preço. “Embora esse processo de dife-

renciação leve tempo, é essencial para

garantir o desenvolvimento sustentá-

vel das PME”, conclui.

https://www.plataformamedia.com/2026/05/08/pme-sob-pressao-nem-credito-nem-consumo/

https://cdn.plataformamedia.com/2026/05/PM-615-NEW-WEB-4.pdf

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