PME SOB PRESSÃO: NEM CRÉDITO NEM CONSUMO
maio26 Plataforma
PME SOB PRESSÃO: NEM CRÉDITO NEM CONSUMO
Ataxa de incumprimento
das PME atingiu um novo
máximo no final de 2025,
num contexto de menor crédito
ao setor e mudanças nos hábitos
de consumo dos residentes. Para
Nelson Kot, a diferença de preços
com Zhuhai é “um motor estrutural
da deterioração da saúde financeira
das PME”; Henry Lei defende que
esta mudança contribui para “a
queda do comércio local e para as
dificuldades das PME”.
A taxa de incumprimento dos emprés-
timos às PME atingiu 7.9% no final
de 2025, um novo máximo, segundo
dados da Autoridade Monetária e
Cambial de Macau (AMCM). Apesar
do montante de créditos vencidos ter
recuado ligeiramente para 5,3 mil mi-
lhões de patacas; mais de 70% destes
estavam em atraso há mais de um ano,
num contexto em que o crédito total
ao setor caiu quase 14%; para 67 mil
milhões de patacas.
Nelson Kot, presidente da Associação
de Estudos Sintético-Sociais de Ma-
cau, considera que o agravamento do
incumprimento está ligado a mudan-
ças estruturais no comportamento dos
consumidores. “O aumento das taxas
de incumprimento (...) parcialmente,
mas de forma significativa, é impul-
sionado por mudanças estruturais
na procura”, sublinha; apontando o
crescimento do consumo em Zhuhai
e noutras cidades do Interior da China
como fator central: “Retira de forma
permanente o fluxo estável de clientes
às pequenas e médias empresas locais”.
A análise encontra eco na tese do eco-
nomista Henry Lei, que identifica na
quebra do consumo interno um sinal
claro de pressão sobre as empresas:
“O fraco desempenho do volume de
vendas a retalho (...) pode refletir a
deterioração da confiança dos consu-
midores e o enfraquecimento da pro-
cura”, refere; destacando a descida de
“77,19 mil milhões de patacas, em 2019,
para 69,59 mil milhões, em 2025”.
Lei sublinha também “a prática cada
vez mais comum de viajar para a Chi-
na ao fim de semana para consumir”,
bem como o “peso crescente do comér-
cio eletrónico”, apoiado por platafor-
mas com entrega gratuita. Segundo
dados do Inquérito ao Rendimento e
Despesas das Famílias 2023/24, face
ao inquérito de 2017/18, o consumo ex-
terno das famílias aumentou 21.8%,
representando quase um quarto da
despesa mensal.
A “diferença de preços com Zhuhai”
agrava o cenário; e, para Kot, esta
disparidade “tem distorcido de forma
acentuada os setores do comércio local
e da restauração”, criando um “efeito
persistente de substituição do consu-
mo”. O que impacta diretamente nas
contas das empresas: “Menor fatura-
ção, margens comprimidas”, e maior
dificuldade em “cumprir obrigações
financeiras”.
Lei acrescenta que a sensibilidade ao
preço aumentou com a perda de ren-
dimento e a queda do mercado imobi-
liário. “A sensibilidade às diferenças de
preços (...) aumentou”, observa; apontan-
do ainda para a maior “integração com
Zhuhai e Hengqin” como fatores que
facilitam a “deslocação do consumo”.
DESTINO FINAL: INSOLVÊNCIA
Neste contexto, o acesso ao crédito
torna-se mais restrito. A AMCM indi-
ca que os bancos têm recusado pedi-
dos de financiamento sobretudo por
“fraca credibilidade” e “desempenho
insatisfatório”. Para Kot, o risco é claro:
“O endurecimento das condições de fi-
nanciamento deverá acelerar o encer-
ramento de PME”, especialmente nos
setores mais expostos à concorrência
transfronteiriça. “As pressões de liquidez
irão intensificar-se”, acrescenta, alertan-
do para um ciclo em que as empresas
perdem “acesso a crédito”, deixam de
conseguir “suportar custos fixos” e são
“empurradas para a insolvência”.
Lei considera que a tendência deverá
manter-se: “É inevitável que os ban-
cos rejeitem pedidos de crédito (...)
com baixa capacidade de reembolso”,
afirma; antecipando um período pro-
longado de pressão sobre as empresas,
num contexto em que o rácio crédito/
depósitos tende a diminuir.
Perante este cenário, as soluções pas-
sam por uma combinação de medidas
imediatas e reformas estruturais. Kot
defende apoio direto, incluindo cré-
dito com juros reduzidos, garantias
públicas e redução de encargos ope-
racionais, mas também uma aposta na
diferenciação da oferta. “Ofertas de
consumo (...) difíceis de substituir por
alternativas transfronteiriças” serão
“essenciais para recuperar competitivi-
dade”, sublinha; defendendo também
a “otimização das cadeias de abasteci-
mento” e a “redução do diferencial de
custos” com regiões vizinhas.
Lei aponta para soluções de longo pra-
zo: “Torna-se necessário implementar
políticas estruturais de longo prazo”,
afirma; defendendo o “reposiciona-
mento” das PME e a criação de pro-
dutos e serviços mais “únicos”, capazes
de escapar à concorrência baseada no
preço. “Embora esse processo de dife-
renciação leve tempo, é essencial para
garantir o desenvolvimento sustentá-
vel das PME”, conclui.
https://www.plataformamedia.com/2026/05/08/pme-sob-pressao-nem-credito-nem-consumo/
https://cdn.plataformamedia.com/2026/05/PM-615-NEW-WEB-4.pdf
Comments
Post a Comment