Supermercados sofrem quebra no negócio e podem fechar mais espaços

 jul25

Ip Sio Man, presidente da Agência Comercial Vang Kei Hong, desdramatiza o fecho recente de alguns supermercados no território e afirma que se trata apenas de um “ajuste” na estratégia comercial, relacionado com má localização dos espaços e com a necessária redução do número de estabelecimentos

 

O encerramento de supermercados em Macau não é sinal de uma grande crise económica, mas sim de um necessário ajustamento comercial por parte das marcas. Quem o diz é Ip Sio Man, presidente da Agência Comercial Vang Kei Hong, que ontem num evento público afirmou que o recente fecho destes espaços comerciais foi apenas um “ajuste estratégico” por parte das empresas.

“Em primeiro lugar, quando falamos de encerramentos percebemos que se tratam de casos individuais. Depois, temos uma grande proporção de supermercados [por número de habitantes, em Macau]. Há redes de supermercados que se estão a ajustar porque abriram nos sítios errados e simplesmente fecharam e mudaram para outras zonas.”

O responsável, que falou com os jornalistas à margem das comemorações dos 50 anos da empresa, disse que o mercado mudou e que há alguns sectores económicos que estão a reduzir o número de espaços, e não apenas os supermercados.

“Macau tem cerca de 680 mil habitantes, mas cerca de 100 mil pessoas não moram habitualmente no território. O número [de supermercados] é demasiado excessivo, e a situação é semelhante nos mercados”, disse. A Vang Kei Hong fornece produtos e bens alimentares a retalhistas, restaurantes, hotéis e resorts.

O seu presidente deu também o exemplo dos bancos, que estão a fechar sucursais. Na sua opinião, isso não significa um cenário de recuo económico, mas simplesmente uma mudança de estratégia, tendo em conta que há cada vez mais serviços online que os clientes podem usufruir.

Bairros sofrem

Questionado sobre o panorama da economia na relação com o sector social no primeiro semestre, Ip Sio Man defendeu que os resultados são variados, com o turismo a registar um avanço. Porém, adiantou que os comerciantes nos bairros comunitários, onde há menos turismo, continuam a sofrer com a falta de clientes.

Por esta razão, Ip Sio Man defende que as pequenas e médias empresas (PME) têm, elas próprias, de mudar a sua estratégia comercial. O empresário acredita que, no segundo semestre deste ano, o ambiente de negócios possa melhorar, pois Hong Kong tem revelado um crescimento próspero, sendo que também Macau tem tido um maior número de turistas.

Ip Sio Man indicou, portanto, que as PME têm de se focar em formas de atrair o consumo dos turistas. “Não acho que seja uma questão de os turistas não quererem gastar dinheiro. Apenas consomem os produtos que lhes garantem a melhor relação custo-benefício”, acrescentou.

Um dos exemplos referidos pelo empresário é o da marca de chá amargo do Interior da China Wanglaoji, que registou um aumento de venda para Macau em cerca de 30 contentores, enquanto que nos anos anteriores as vendas eram de apenas um dígito.

https://hojemacau.com.mo/2025/07/03/comercio-fecho-de-supermercados-e-ajuste-estrategico/


jun25

A Associação de Supermercado e Alimentos Básicos de Macau alertou para as dificuldades de negócio dos supermercados locais devido à redução de receitas e ao aumento dos custos operacionais. Wong Man Wai, presidente da associação, apontou que alguns espaços de determinadas cadeias de supermercados fecharam recentemente as portas e disse acreditar que mais vão encerrar ainda este ano.

Wong Man Wai afirmou que os supermercados estão a “passar um período difícil de ajustamento” com uma quebra de negócio de 30%, sendo que a situação é mais crítica nas zonas não turísticas. “Durante a pandemia, os supermercados desempenharam um papel importante como pilar da salvaguarda das necessidades básicas da população, mas, após a epidemia, tornaram-se a indústria menos beneficiada”, lamentou o responsável, em declarações ao Jornal Ou Mun.

Reconheceu ainda que a exclusão de alguns grandes supermercados locais da lista de comerciantes elegíveis para participar no programa do Grande Prémio para o Consumo teve “um grande impacto” no sector dos supermercados bem como dos fornecedores. “Os grandes supermercados foram forçados a abandonar o mercado devido aos elevados custos de funcionamento”, realçou Wong, acrescentando que os espaços na Zona Norte tiveram “ainda mais dificuldade” devido à falta de apoio das políticas de consumo.

O também dirigente da cadeia local de supermercados Tai Fung salientou que alguns fornecedores de pequenas e médias empresas entraram numa “crise de sobrevivência” por causa da “queda acentuada” das encomendas dos supermercados.

Recorde-se que a passada ronda do programa Grande Prémio para o Consumo nas zonas comunitárias ofereceu descontos em mais de 20.000 estabelecimentos comerciais físicos. No entanto, o plano excluiu a aplicação de desconto em grandes cadeias de supermercados, serviços de água, de electricidade, de combustíveis, serviços médicos, parques de estacionamento, entre outros.

Wong Man Wai, além disso, destacou que a redução de despesas dos consumidores é agora também um problema para a indústria, estando estes mais focados nos preços. “No passado, costumavam escolher produtos de alimentos estrangeiros, mas agora pensam que os produtos do Continente são mais diversificados”, disse. “O elevado custo dos produtos importados do estrangeiro torna difícil a venda, pelo que muitos supermercados não se atrevem a comprar grandes quantidades. A proporção de produtos do interior da China aumenta, fazendo com que os supermercados locais enfrentem desafios competitivos do mercado do Continente”, observou.

O representante admitiu que a transformação de modelo de negócio para a venda online também é “inútil” e “ineficaz”, uma vez que os custos de mão de obra e de logística continuam a ser elevados e o comércio eletrónico na China Continental ocupa um espaço cada vez maior no mercado.

Os dados mais actualizados dos Serviços de Estatística e Censos mostram que o volume de negócios dos estabelecimentos do comércio a retalho registou uma diminuição anual de 15% no primeiro trimestre deste ano, cifrando-se em 17,58 mil milhões de patacas. Segundo o inquérito, 52,3% dos retalhistas preveem que a exploração dos estabelecimentos vai ser ainda pior no segundo trimestre.

Neste caso, Wong Man Wai chamou a atenção para a possível abertura em breve de mais um novo supermercado no outro lado da fronteira, nas imediações do posto fronteiriço de Gongbei, o que pode dificultar ainda mais o negócio dos supermercados locais.


https://pontofinal-macau.com/2025/06/05/supermercados-sofrem-quebra-no-negocio-e-podem-fechar-mais-espacos-este-ano-diz-sector/

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