Aproveitar “bed and breakfast” para promover economia comunitária
NELSON KOT Com a diversidade das opções de alojamento para os turistas, os “bed and breakfast” emergiram entre um conjunto de hotéis e tornaram-se a escolha preferida de muitos turistas. Quer numa cidade moderna e movimentada quer numa aldeia, os “bed and breakfast” proporcionam aos turistas experiências de alojamento diversificadas com a sua atractividade única.
Na minha opinião, os “bed and breakfast” conseguem trazer um sentimento de pertença aos turistas, o que é diferente dos hotéis de cinco estrelas com design padronizado e luxuoso. Muitos “bed and breakfast” são transformados a partir das casas das próprias pessoas e estão repletos de um forte sentimento de vida.
Os móveis e as decorações personalizadas nos quartos dos “bed and breakfast” proporcionam aos turistas uma experiência calorosa e confortável. Além disso, os simpáticos senhorios partilham com entusiasmo iguarias locais, pontos turísticos menos conhecidos e histórias sobre a vida dos habitantes locais, o que ajuda os turistas a integrar-se rapidamente na comunidade local e a encontrar um conforto tal como sentem em casa.
A abundância e a diversidade de experiências especiais são também um destaque dos “bed and breakfast”. Existe uma grande variedade de “bed and breakfast” para satisfazer as necessidades personalizadas de diferentes turistas. Os turistas que gostam da natureza podem escolher “bed and breakfast” construídos em cabanas de montanha, enquanto os visitantes que adoram as paisagens à beira-mar podem escolher os “bed and breakfast” junto ao mar.
Por sua vez, nos bairros antigos, os “bed and breakfast” transformados a partir de casas antigas fazem com que os turistas se sintam como se estivessem a viajar no tempo e no espaço. Cada tipo de “bed and breakfast” transmite uma forte cultura regional e estilo de vida, criando memórias de viagem únicas para os visitantes.
Do ponto de vista do preço, os “bed and breakfast” são bastante competitivos. Para os turistas em família ou que viajem em grupo, os “bed and breakfast” são muito económicos pois pode ser arrendada a casa inteira a turistas em grupo. Além disso, os “bed and breakfast” têm uma vantagem única em termos de interação, sendo que as áreas comuns de um “bed and breakfast”, como a sala de estar, constituem frequentemente um local perfeito para conhecer outras pessoas e fazer amizades.
No futuro, com a evolução constante do mercado do turismo e as necessidades cada vez mais diversificadas dos visitantes, os “bed and breakfast” serão uma nova forma de experiência de viagem, podendo trazer mais surpresas e experiências maravilhosas aos turistas de uma forma mais diversificada.
No entanto, vários sectores de Macau são muito opostos aos “bed and breakfast”, acreditando que o elevado número de quartos nos hotéis locais, a existência de instalações bem equipadas e a presença de centros comerciais ou casinos junto dos hotéis já conseguem satisfazer as necessidades dos turistas que vêm a Macau. Concordo com alguns dessas opiniões.
Porém, considero que, no contexto da recessão económica de Macau, da conclusão sucessiva de vários projectos de habitação económica e social do Governo, de cada vez mais fracções habitacionais desocupadas nas zonas antigas e da falta de condições e ambiente para os turistas pernoitarem nos bairros comunitários, é apenas um objectivo distante atrair turistas para os bairros comunitários e revitalizar a economia desta forma. Em vez de serem deixadas desocupadas e desperdiçadas, as fracções deveriam ser transformadas e revitalizadas para satisfazer as necessidades de turistas.
Por isso, sugiro ao Governo que considere a possibilidade de criar um regime de “bed and breakfast” nas zonas antigas, legislando para regulamentar os critérios e condições operacionais dos “bed and breakfast”, e complementando esta medida com preços adequados e o procedimento de check-in com nome real, de modo a atrair mochileiros, “viajantes ao estilo das forças especiais” e turistas em família a permanecerem nos bairros antigos. Esta medida pode, por um lado, resolver as suas preocupações com os elevados preços dos hotéis e permitir-lhes permanecerem em Macau por mais alguns dias. Por outro lado, como permanecem nas zonas residenciais, podem trazer um impulso ao consumo nos bairros comunitários e revitalizar os edifícios e fracções desocupados existentes em várias zonas, libertando assim a sua vitalidade.
Ademais, no contexto da recessão económica, esta medida pode também ajudar alguns residentes a arrendar as suas casas, aumentando assim os seus rendimentos e aliviando as suas dificuldades económicas. Espero que o Governo da RAEM pondere esta hipótese.
20/6/25 https://jtm.com.mo/opiniao/aproveitar-bed-breakfast-para-promover-economia-comunitaria/
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